Cacá Diegues preside júri da Caméra de Ouro do Festival de Cannes

Cacá Diegues será o presidente do júri da Caméra D’or do Festival de Cannes, prêmio destinado a incentivar as novas gerações de cineasta. Composto por Gloria Satta, jornalista italiana, Remy Chevrin, da Associação Francesa de Diretores de Fotografia, Hervé Icovic, membro da Federação da Indústria de Cinema, Audiovisual e Multimídia da França, Francis Gavelle, crítico, e Michel Andrieu, da Sociedade Francesa de Diretores, Diegues guiará a escolha do vencedor entre 22 diretores de primeira viagem. De acordo com os organizadores do festival francês, a escolha de Diegues se justifica por sua sólida carreira cinematográfica dedicada a retratar a cultura brasileira.

O prêmio será entregue em 27 de maio. "É uma oportunidade de ver o que está acontecendo no mundo", afirmou Diegues à reportagem durante o 16° Cine PE, em que foi homenageado por sua carreira. "Talvez tenhamos péssimas surpresas, mas vai ser interessante."


O diretor é figura tarimbada em Cannes. Além de ter comparecido à competição oficial com "Bye Bye Brasil" (1980), "Quilombo" (1984) e "Um Trem para as Estrelas" (1987), integrado a Quinzena dos Realizadores duas vezes e participado da Semana da Crítica com seu longa de estreia, "Ganga Zumba" (1964), ele já fez parte do júri principal em 1981 e do da Cinéfondation em 2010.


"Acham que tenho vocação para júri", brinca. "Como presidente, sei que preciso assumir responsabilidades. Não dá para julgar o filme de um menino de 20 anos da mesma forma que julgamos o trabalho de um cineasta consagrado. O filho mais moço precisa de atenção. Mas eu não traio meu gosto."

Esses meninos o farão revisitar a lembrança de sua estreia em Cannes, com 23 anos. "Foi inesquecível. Era a minha primeira vez na Europa e encarei o mais importante evento de cinema do mundo", recorda.

Mas Cacá não quer saber de ficar preso ao passado. "Não tenho nostalgia e nem quero passar qualquer mensagem para o futuro", diz o diretor. "Faço filmes para o presente."

Parte desse presente inclui o regresso ao Brasil para dirigir "O Grande Circo Místico", produção baseada na obra do poeta Jorge de Lima.


Criada em 1978, a Caméra d’Or já foi parar na mão de diretores promissores que acabaram ganhando relevância no cinema mundial, como o norte-americano Jim Jarmusch (“Daunbailó”) em 1984, com “Estranhos no Paraíso”, e o inglês Steve McQueen (“Shame”) em 2008, com “Hunger”. O vencedor deste ano será anunciado no encerramento do festival, no dia 27 de maio.

A 65ª edição do Festival de Cannes começa no dia 16 de maio e terá “Na Estrada”, adaptação do clássico norte-americano “On the Road” dirigida pelo brasileiro Walter Salles (“Central do Brasil”), na mostra competitiva. O filme disputará a Palma de Ouro 2012 com outras 21 produções, entre elas “Amour”, do austríaco Michael Haneke (“A Professora de Piano”), e “Cosmópolis”, do canadense David Cronenberg (“A Mosca”).

 

O Brasil terá importante participação no Festival. Durante a mostra, serão exbidos três clássicos do cinema nacional: as versões restauradas de “Xica da Silva” (1975), do próprio Diegues, “Cabra Marcado para Morrer” (1984), de Eduardo Coutinho, e “A Ópera do Malandro” (1986), de Ruy Guerra. Uma sessão especial ainda exibirá “A Música Segundo Tom Jobim”, de Nelson Pereira dos Santos. A presença mais significativa do país no festival, porém, fica por conta do diretor Walter Salles, que concorre na competição principal com seu novo filme, “Na Estrada”.

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