outubro 2006
Uma nova Luz - Uma reflexão sobre o cinema.
CD
Ponte do imaginário humano entre a criação artesanal e a revolução industrial, o cinema foi inventado no final do século 19 e ajudou a inventar o século 20. No futuro, quando as paixões político-culturais de hoje estiverem mais ou menos esquecidas, não se entenderá o século passado sem apelo ao que disseram seus filmes.

     O cinema refletiu o que foi o século 20, mas também construiu o que ele foi em matéria de modo-de-vida, costumes e comportamento, cultura enfim. O cinema reproduziu a história do século e, ao mesmo tempo, ajudou a fazê-la. Nenhuma outra forma de expressão artística, anterior ou contemporânea a ele, foi capaz de forjar o destino humano como o cinema o fez. O século 20 fez o amor e a guerra como os filmes lhe ensinaram a fazer.  

  Hoje, podemos dizer que o cinema é o velho patriarca de uma família que se constituiu ao longo do século passado, e que já é tão numerosa neste início de século 21. Estou me referindo à família do audiovisual, da qual ele é uma espécie de avôzinho de uma descendência em que a televisão é a sobrinha mais sapeca e bem sucedida. E os caçulas são a internet e todas essas novas formas de captação e difusão de imagem-e-som. Tendo crescido toda cheia de mimos, a internet se tornou uma adolescente esperta e, chegando interativa à idade da razão, ameaça com exuberância o sucesso da televisão.

  Assim como, no final da Idade Média, uma nova tecnologia, a imprensa, alfabetizou o mundo ocidental e precedeu a luz do Renascimento, agora são as novas tecnologias eletrônicas e digitais de produção e difusão de imagens e sons que vão certamente produzir uma extensa “alfabetização audiovisual” que pode colocar esse meio de expressão do imaginário humano ao alcance de todos. Diante desses dias sombrios de fanatismo irracionalista e religioso em que o mundo vive hoje, em todos os seus hemisférios, talvez seja este o instrumento de uma nova luz para a humanidade.

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