Carlos Diegues coordena o projeto "Cinco Vezes Favela - Agora por eles mesmos".

 

O cineasta Cacá Diegues retoma a idéia do filme "Cinco Vezes Favela", documentário com cinco episódios de curta metragem, produzido pela UNE em 1961. A nova versão, “Cinco vezes favela, agora por eles mesmos” é escrita, dirigida e realizada por jovens cineastas moradores de favelas do complexo da Maré, Vidigal, Cidade de Deus, Parada de Lucas e da Lapa.

No dia 24 de abril, o projeto foi apresentado numa coletiva de imprensa, no cine Odeon BR, no Rio de Janeiro. Produzido por Luz Mágica Produções, em co-produção com Globo Filmes e Columbia do Brasil, estiveram presentes os jovens cineastas, além do supervisor do longa-metragem Cacá Diegues e a produtora do filme Renata Magalhães.

Com apoio da Central Única das Favelas - Cufa, Nós do Morro, Observatório de Favelas, AfroReggae e Cinemaneiro, o processo de produção do filme começou em janeiro de 2007, com o funcionamento de cinco oficinas de roteiro, coordenadas por Rafael Dragaud, cada uma delas instalada nas comunidades citadas. Agora, selecionados os argumentos e escritos os roteiros pelos próprios participantes das oficinas foram escolhidos, entre eles, os diretores de cada um dos cinco episódios.

Enquanto o projeto está na fase de captação de recursos, os roteiros continuam sendo trabalhados pelos argumentistas e diretores, que também estão pesquisando as melhores locações para os filmes.

História
O primeiro projeto de “Cinco vezes favela” completa 45 anos em 2007. A proposta agora é mostrar um novo olhar sobre as comunidades da periferia carioca: agora, não mais pelo prisma do observador externo, como foi feito em 1961, mas sob o ponto de vista de seus próprios jovens moradores, porta-vozes deles mesmos.

Em 1961, cinco jovens cineastas universitários de classe média realizaram um filme produzido pela União Nacional dos Estudantes (UNE) chamado “Cinco Vezes Favela”, que reuniu cinco episódios. Naquele momento, essa experiência era rara, pois ninguém voltava as câmeras para a favela. Hoje a realidade social e econômica não mudou substancialmente. No entanto, filma-se cada vez mais nas comunidades de periferia. Cursos de roteiro, oficinas de vídeo e de cinema, e a conseqüente produção de filmes e vídeos realizados na periferia pelos próprios moradores, estão sem dúvida alguma semeando a próxima grande novidade do cinema brasileiro.

Títulos, argumento e direção:

Acende a luz – argumento e direção de Luciana Bezerra. Na véspera do Natal, o morro está sem luz e os técnicos chamados não conseguem resolver o problema; até que um dos técnicos se torna refém da comunidade que não quer passar o Natal às escuras.

Arroz com Feijão – argumento de Zezé da Silva. Direção de Rodrigo Felha e Cacau Amaral. Wesley tem 12 anos de idade e sonha dar ao pai, que só come diariamente arroz com feijão, um presente de aniversário inusitado: uma refeição de frango.

Concerto para violino – argumento de Rodrigo Cardozo da Silva. Direção de Luciano Vidigal. Jota, Pedro e Márcia cresceram juntos, numa mesma comunidade. Quando crianças, eles fizeram um juramento de amizade que, agora adultos com diferentes destinos, não têm mais como cumprir.

Deixa voar – argumento e direção de Cadu Barcellos. A pipa de Flávio, de 17 anos, cai na favela de uma facção do tráfico rival à da sua comunidade. Obrigado a ir recupera-la, ele descobre que as duas comunidades não são em nada diferentes uma da outra.

Fonte de renda – argumento de Vilson Almeida de Oliveira. Direção de Manaíra Carneiro e Wavá Novais. Maicon realiza seu sonho de passar no vestibular de Direito, mas agora precisa arranjar dinheiro para pagar seus estudos, livros e cadernos. 

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